8.2.10

O Vampiro

O homem encorpado num terno ostentoso farejava o aroma daquela seiva viscosa que lhe sapecava as narinas num libertino desnorteio. Os lábios pérfidos espumavam, almejando saborear-se com o néctar que fora detectado por seu instinto. Uivo ecoante vindo dos labirintos carnais. Beijo permutante que lhe desvenda a língua-serpente. Diálogo silencioso. Caça ordinária. Num leve pestanejar, soprou-lhe aos lábios um hálito fresco, assim desvirtuando-lhe a defensiva eficiência. Corpos mortos, mentes duelando nas dimensões obscuras. Cinematografavam cenas obsoletas de suas cópulas selvagens. Sussurrava aos ouvidos juvenis convites sórdidos de partilha ao clímax. Enlaçou-lhe o pescoço tatuado com seus dedos arredios e levou-lhe ao seu sexo. Igualmente quentes e morbidamente frios. Distinções desconhecidas. Mentalmente perjuravam a cordialidade. Vulgaridade. Os lábios secos e desbotados do homem de olhos esverdeados declamavam à sua cortesã masculina, exprimiam ao seu semblante o descaso pelo confinamento de sentidos. Sua cortesã blasfemeava atracada com suas gotejantes réstias de prazer que manchavam-lhe os lábios. Estalava os beiços pela umidade do moreno, este rendido aos devaneios, prenunciava que seu gozo amornaria a garganta falecida do menor. Os mamilos aguardando pelo beijo soturno do vampiro, feito alfinetes prontos a coserem seus trajes pomposos. Implorava para que retalhasse sua jugular com suas navalhas dentárias. Queria que o homem bebericasse de si. Queria ser devorado pelos lábios sinfônicos de seu amante. Queria visionar a carcaça animalesca que existia por trás daquele trajamento elegante. Desmontara as vestes de sua dócil criatura. Deflorou-lhe. Duetavam com seus toques depravados, os corpos melados pelo suor mortal grudavam-se e emanavam uma labareda infernal. Façanhosos, vibravam apenas com suas explorações grosseiras. O tarciturno de longos fios negros buscava pelo encaixe perfeito com o menor que derramava-se por seu corpo robusto. Sendo chicoteado e aliciado pelas perfidões do outro, emitia ruidosos sons semelhantes a um felino em sua época fértil. Deformados pela sodomia transpiravam em nobreza. Opulência do sangue. Pueril algema de prata que adormecia sua rivalidade. Casulo Negro. Éden Maldito. Sintonia mecânica e luxuriosa. Rasgue-lhe as cortinas fieis. Arraste-lhe ao trajeto espinheto e imortal da pós-morte. Gelidez brasante. Lençois açoitosos que um dia exalaram sua colônia penetrante. Dança fatal. Pecado carnal. Puderam entorpecer-se no azemude e na doçura, recobertos pelo coma profundo. No alvorecer, pairados aos ermos secretos. Dosados pelo veneno estonteante. Submergidos pelo prazer e morbidez.

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