22.4.10
Criatura Soturna
Padecido do aroma mortal, o vampiro mais novo farejou as cristalinas gotículas de suor que brotavam da pele do outro, uma película de cetim negro que chamuscava as narinas excitadas daquele. Nem mesmo a chibata mais arredia seria capaz de destroçar a brandura desta que incendiava as pontas dos dedos. Era a fusão da gelidez de sua alma com o fogo excepcional de seu corpo. Tal homem que trajava um impecável vestuário, tal homem que contrariava sua raça, buscando por infiltrar-se no ocultismo de seu prometido. Suas mentes atracavam-se com bravura, rastejando ao ápice de suas limitações. O vampiro sentia seus lábios espumarem de desejo por devorar aquela carcaça de sangue doce, tais lábios que ambicionavam por provar de seu amante num bebericar perdurado em partilhamento de prazeres. Ele almejava tornar daquele desconhecido de suas leis, a mais poderosa e astuta criatura. Sua paixão alastrava-se por seus globos oculares, tingindo suas claras órbitas com a mais viva tonalidade. Sua pele desbotada gritando pela vivência do outro, sua escassez bradando pelo ferroso sabor que preenchia as veias do amado. Ele estava recheado de erotismo e amor. Não poupou-lhe em devorar os lábios finos e apimentados, trilhas labiais que mancharam-se em questão de segundos. Sua vida estava sendo sugada em silêncio, porém, o poder e a elegância inseriam-se por suas artérias. O vento cancionava a fúnebre canção juntamente aos relampejos vindos do lado de fora, a sinfonia harmônica era o sonoro som da morte. Os lábios do vampiro adormeceram atonitamente, por conseguinte, afundando-se em pecados por sua jugular. Criatura dos sonhos soturnos, ofereci-lhe meus punhos mórficos em troca do suborno de meu sono. Cravei-lhe asas em teu corpo dando-lhe a sobrevivência para um revôo pela escuridão.